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Raisa Arruda

Bem estar, carreira e lifestyle

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  • Raisa Arruda

Um desabafo de mãe.

Nem todos os dias são fáceis, e nesses dias parece que tudo o que incomoda se eleva a milionésima potência. E você fica tão energizada negativamente que tudo da choque, e tudo vira aborrecimento, alfinetada, chateação. E por mais que não seja com o bebê, mas com todas as circunstâncias da vida fora dessa relação, a culpa rebate na hora, pelo medo de que recaía sobre ele, sentimentos que não dizem respeito à ele.

A culpa não é dele se eu passo a maior parte do meu dia sozinha com ele, se passamos a maior parte dos nossos dias em casa, se não me acostumei com o fato de que quase tudo o que eu quero ou preciso fazer deve ser feito enquanto ele dorme, ou depois que todas as necessidades dele estão satisfeitas, a culpa não é dele se meu corpo não acompanha sempre o ritmo de ser mãe, e ainda precisar estudar, atender, trabalhar, administrar rede social, pensar em temas para escrever, e tudo isso num tempo reduzido, e bastante cortado. A culpa não é dele se o mundo convoca a atenção nos dando ilusões e fantasias de que estamos perdendo alguma coisa lá fora…

Na maior parte do tempo eu estou tão satisfeita que não sinto falta de nada, mas como não existe a menor possibilidade de estarmos satisfeitos o tempo inteiro, porque o próprio corpo não está sempre satisfeito, imagina a “alma”. E aí bate a chateação, muitas vezes desproporcional com o momento, mas por ser algo que se acumula com o tempo, e nunca sai por completo na hora que sai, pra quem tá de fora do sentimento não faz sentido.

Bom, sinto muito, mas eu não quero ser aquela mulher rancorosa depois dos 50, que pra todo comentário e toda situação tem uma piada amarga, uma ironia cortante, e nada tá bom. Não quero ser aquela pessoa que desaprendeu a ser feliz, pois não é isso que Hugo me ensina. O problema é que ele me ensinou também a perceber mais do que eu gostaria, e muitas coisas eu só consegui enxergar depois que ele nasceu. E como o processo é rápido, e sem tempo para assimilação, é difícil. Antes eu pensava e concordava com certos raciocínios, que hoje, eu simplesmente abomino.

Se eu fui criada e educada de determinada forma, pois era/é uma questão cultural, Hugo me deu muita clareza de que eu já não concordava com muita coisa, hoje concordo com menos ainda, e aí entram os conflitos… Não é porque fomos educados de determinada forma que devemos dar continuidade sem questionar. Eu, pelo menos, não acredito que estou aqui para manter o status quo sem nem me perguntar porquê faço determinadas coisas, seria tipo aquela propaganda da cerveja skin “ah! Porque sim…”, mas se você pensar só mais um pouquinho, você não faz… (A propaganda pergunta porque vc toma café com adoçante depois de ter comido uma feijoada, por exemplo, e ai respondem “porque sim!”, mas se você pensar melhor…). É muito fácil me conformar com meu comportamento, e me desculpar, com um fui educada assim, ou eu sou assim, do que parar para refletir. Hoje eu ouvi uma crítica, que normalmente eu responderia “pois eu sou assim, tenha paciência”, mas eu sei que eu ajo dessa maneira, sei quando eu ajo dessa maneira, e sei também que preciso encontrar novas formas de encarar determinadas situações, só que não é tão simples quando você não tem quinze minutos sozinha pra poder cuidar de si própria sem estar morta de cansada para refletir (coisa que estou fazendo agora).

Quem vê pensa “ah! Por que você não sai com o bebê, então?!”, ouvi muitas vezes aqui em casa que fico em casa o dia todo porque eu quero, pois deixa eu dizer uma coisa, meu filho não anda ainda, ou é nos braços, Sling ou carrinho, se eu for em qualquer lugar e tiver vontade de ir ao banheiro fazer xixi, e estiver sozinha, vou deixar ele onde? No chão do banheiro?! Se nem o carrinho dele cabe dentro da cabine… Vou ficar com ele no colo?! Eu sempre que posso, levo Hugo comigo, eu amo estar com ele, e amo ficar com ele no colo, apesar da dor nas costas desde a gravidez, mas sempre preciso voltar logo se eu estiver sozinha. Fora que o trânsito não ajuda, e quando eu tô sozinha no carro e demoro pra chegar no destino ele chora, mas chora tanto, que só sendo muito fria pra conseguir me concentrar na direção ouvindo o choro de desespero dele no banco de trás. Lamento, sou uma mãe fraca, pois não consigo. Não coloquei meu filho no mundo pra achar que devo acostuma-lo com o sofrimento porque a vida é assim ou assado, ou não é fácil… se eu até hoje, adulta, não gosto de sofrer, imagina um bebê que nem consegue falar sobre isso ainda. Quem é que gosta?! Ninguém, mas adultos temos nossas estratégias (algumas vezes) para driblar o sofrimento, o bebê ainda não… Principalmente quando ele vê a mãe ali e não entende porque ele tem que ficar desamparado.

Eu não quero ser uma super mãe, meu problema não passa pela maternidade em si, minha chateação não chega perto de ser com o esse novo papel, e as responsabilidades que esse papel me trouxe. Minha questão, e que me irrita profundamente, tem a vê com o que está fora disso. Com a ilusão de que a mulher-mãe da conta de um universo de coisas que não dá! Todos os dias eu vejo mães perguntando nesses grupos de facebook como as outras conseguem fazer coisas bobas do dia a dia, que antes de ser mãe, a gente nunca parou para pensar sobre elas, tipo comer, bebê água, tomar banho, ir ao banheiro, ligar para alguma amiga, ler um livro, e DORMIR, isso é comum, porque ninguém disse que a mãe não é um ser supremo que dá conta de tudo. E ninguém disse que ela precisa de ajuda, o tempo todo, primeiro porque a criança não é responsabilidade somente da mãe, essa é outra coisa que ninguém diz e que deveria ser ensinada desde a escola. E essas coisas que ninguém te diz só dá continuidade à uma cultura que sobrecarrega a mulher, que transforma a maternidade num trabalho, num fardo, e nos coloca numa posição bem difícil, e ainda por cima, no lugar de ingrata… E não, eu nunca vou me acostumar a pedir a ajuda, por algo que eu acredito ser óbvio, e que eu não preciso pedir ajuda, mas tenho que lembrar que as mães antes de mim caíram nesse conto de serem totais, e não mostraram para seus filhos que elas não davam conta, e estes cresceram achando que não há necessidade em ajudar, porque muitas vezes não viram os outros ajudando… Enfim. Nada contra meu pais, eles foram e são ótimos, mas do que ótimos, e bem mais do que precisam ser de ótimos, e é tão por eles serem assim, e terem me educado e criado como o fizeram, que eu questiono e reclamo, que hoje, depois de ter tido meu filho, eu precisei descolar do que aprendi sobre filhos vendo/vivendo eles cuidarem de mim e da minha irmã, para poder construir meu próprio caminho como mãe. Eu precisei desconstruir os meus pais, para me construir enquanto mãe, e enquanto adulta. Uma vez eu ouvi que só podemos ser pais, quando deixamos de ser filhos, e hoje eu entendo isso perfeitamente.. Mas talvez seja a compreensão dessa frase que deixa tudo mais cansativo. Muitas vezes é doloroso perceber que você não concorda com aquilo que te foi feito quando você era criança, não que tenha sido feito alguma maldade, longe disso, mas coisas banais que repercutem na nossa maneira de agir até hoje, porque meus pais (e, talvez, os pais de vocês) aprenderam que deveria educar daquela maneira… Hoje eu converso bastante com eles, com a maneira como eu e Rodrigo acreditamos ser melhor educar Hugo, e é engraçado como em nenhum momento eu os acuso de ter errado no percurso deles, pois eu compreendo, e mais ainda, eu agradeço, pois apesar de tudo, hoje eu sei o quanto se tem medo, o quanto se é inseguro, o quanto não se sabe o que se está fazendo, o quanto ninguém te diz absolutamente nada, e tudo o que te dizem nem sempre ajuda, e sei mais do que nunca, o quanto meus pais queriam que eu fosse alguém melhor do que eles, e sei o quanto eles esperavam de mim, talvez até mais do que eu posso ou consigo dar, por limitações minhas, que talvez sejam reflexo das limitações impostas durante meu processo de amadurecimento, e que infelizmente eu não consegui transpor tais barreiras… Enfim.

O que eu queria dizer é que hoje uma frase que eu ouvi há muito tempo faz sentido, que é necessário deixarmos de ser filhos, para sermos pais. E eu parei para pensar sobre isso, e percebi que inclusive a maneira como recorro aos pais é totalmente diferente desde que resolvi juntar minha vida à do Rodrigo, desde que Hugo nasceu.

Hoje eu recorro aos meus pais como amigos, como companheiros nessa caminhada, não busco resgatar deles a companhia que eu poderia crer ter me faltado um dia, pois hoje eu entendo todos os motivos dos meus pais de precisarem trabalhar da maneira como trabalhavam (e trabalham até hoje), sei que eles precisavam fazer o que tinha de ser feito, e mesmo assim, não tenho nenhuma sensação de abandono na infância, porque eles estavam sempre ali, talvez eu que tenha sido ingrata durante minha adolescência e inicio da juventude, mas também compreendo que eu precisava me afirmar como gente, e isso tem a vê com destituir os pais do lugar supremo que eles ocupam na nossa vida…

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